«Escrevia Saint- Exupéry que «o homem é muito semelhante à cidadela. Ele bem derruba as muralhas para assegurar a liberdade, mas nessa altura não passa de uma fortaleza desmantelada e aberta às estrelas. Começa então a angustia que vem de ter deixado de ser». E como que antecipando-se a estes obscuros tempos nos quais vivemos, escuta a voz do insensato que pretende destruir o palácio com o argumento da eficácia e que hoje escutamos nos arrotos da eloquência de tantos políticos, economistas, jornalistas: «Quanto espaço delapidado, quantas riquezas inexploradas, quantas comodidades perdidas por negligência! Urge demolir estes muros inúteis… então o homem será livre». O insensato busca derrubar os muros e degradar os homens em cuja sombra viviam e que nessa altura, se tornarão «gado de praça pública», pois já não se elevam para as alturas das torres e pilares do palácio que são capazes de inspirar poemas. É possível que por muito tempo vivam da lembrança dessa sombra da nostalgia; «depois, a própria sombra apagar-se-á e deixarão de compreender».
Bernardino Montejano na Apresentação do livro «Las Murallas de la Ciudad» de Miguel Ayuso
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