Assim vai a educação

(muito actual)

«Em Portugal hoje não se sabe redigir! Médicos terminam os seus cursos, terminam os seus cursos engenheiros. E sempre que careçam de praticar a expressão escrita, tanto em relatórios profissionais, como em trabalhos de maior fôlego, é doloroso reconhecer que claudicam indecorosamente na ignorância das mais sóbrias e mais elementares regras do estilo.

A ressurreição das humanidades no ensino secundário impõe-se, pois, como mais necessária que o semi-cientismo a que se sujeita o cérebro dos rapazes, roubando-os nesse período tão decisivo da vida à aprendizagem fundamental do pensar claro e do sentir claro. O problema que é seríssimo não se resolve de forma alguma, senão apelando para a educação humanista…

Com a urgência duma medida de salvação nacional, o problema da educação clássica põe-se para Portugal tão inadiavelmente quase como o do regresso do Rei. A tara principal duma democracia consiste no enfraquecimento das forças do raciocínio e na confusão consequente de ideias, ainda as mais gerais…

As virtudes da educação clássica traduzem-se na noção de universalidade que imprimem a quem as convive de perto e pelos quadros mentais que nos conferem».

António Sardinha em Ao Ritmo da Ampulheta, 2ª ed., Lisboa, 1978
Causa Tradicionalista

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